As Diferenças!

5 de dezembro de 2016
Diferenças
Diferenças

Era Setembro e estava passeando na praia da Boa Viagem(PE), passei o dia inteiro comendo camarão frito e me deliciando com a água de coco, que só o Nordeste pode nos oferecer, sem falar nas cervejinhas para celebrar a vida, a natureza, a oportunidade de estar ali com meu filho!
Resolvemos tirar algumas fotos, e quando olhei para o lado, vi a figura de um andarilho caminhando em direção ao mar... fiquei observando o que faria no mar com aquela roupa e ele simplesmente a esfregou  no seu próprio corpo, aproveitando para tomar um banho e simultaneamente lavar a roupa suja e suada!

"...jogos da vida
reflexo de decisão
Amor
Asfalto
Poeira 
Estrada
Mar
VIDA EMARANHADA

TEIA
              ESCURIDÃO."



Final de Semana

2 de dezembro de 2016
Sexta-Feira





Sempre amei a sexta-feira, quando saíamos do trabalho ,eu e meus amigos, sempre havia um "Happy Hour" para lacrar a semana de batalha!
Hoje me senti meio assim, com vontade de comemorar a vida, os amigos, a esperança, os sonhos ainda guardados dentro de mim.
Vesti minha roupa de malhar e sentei num bar para tomar um "Detox,"conversei, ri com amigos do dia a dia... refleti muito e decidi que não queria ir para a academia, entrei no meu prédio, guardei as compras que havia feito de material de limpeza, troquei minha roupa, e disse a mim mesma:
- Hoje quero fazer as coisas que amo:
Liguei o som , depois comecei a escrever desesperadamente, pois essa é a atividade que me renova e me enche de Amor!




“Vou te pegar na sua casa, deixa tudo arrumado
Vou te levar comigo pra longe
Tanta coisa nos espera, me espera na janela
Vou te levar comigo pra longe”!!!!!
(Biquini Cavadão)



De repente me dei conta de que posso ouvir o barulho do mar, das ondas que quebram nas pedras, posso ouvir minhas músicas prediletas diariamente, ouvir os pássaros na varanda em plena liberdade, as crianças gritando nas ruas.
De repente me dei conta de que posso ver as estrelas no céu, as nuvens se movimentando e formando imagens, pois era assim que brincava quando era criança, posso ver o Sol brilhando no horizonte e me energizando os poros, posso ver meus filhos, as matas, os amigos, a escuridão, as praças, as cores, os objetos, posso ver além do visível e palpável, posso ver a água do rio, que cerca minha cidade Natal!
De repente me dei conta de que posso falar, expressar meus sentimentos sempre, gritar pelas ruas, cantar, declarar meu amor sem nenhum impedimento com minhas cordas vocais.
De repente me dei conta de que posso exalar o cheiro dos meus perfumes preferidos, dos alimentos que me agradam, sou capaz de distinguir o que desejo usar ou não na minha pele ou cabelo, discernir o que combina mais comigo.
De repente me dei conta de que posso acariciar meu amante, meus filhos, meu cão. Posso sentir a textura dos objetos, manuseá-los com destreza, posso brincar com massa de modelar e formar figuras humanas, animais, posso até esculpir obras de arte, ou tecer palavras no papel, no computador, no iPad, posso juntar as letras e compor grandes canções ou poemas de Amor, tocar violão ou guitarra, como fiz na minha adolescência, que delícia cantar e tocar “rock”, mas sempre muito desafinada, afinal não posso saber tudo, pelo contrário, tenho que me lapidar, pois tudo o que sei não basta!
De repente me dei conta de que sou feliz, que preciso dizer ao mundo, que a solidão não mata. O que nos mata é o vazio da alma, esse é o buraco humano!
De repente me dei conta de que todos os meus sentidos caminham comigo!
De repente me dei conta de que amo, e meu desejo não cala, incendeia todos os meus sentidos.
De repente me dei conta...
Onde está você?


Vou te pegar na sua casa, deixa tudo arrumado
Vou te levar comigo pra longe
Tanta coisa nos espera, me espera na janela
Vou te levar comigo pra longe”!!!!!
(Biquini Cavadão)                                                         





Darcy Ribeiro:a antropologia posta em prática

28 de novembro de 2016


Darcy Ribeiro



Darcy Ribeiro é um dos maiores intelectuais que o Brasil teve. Não apenas pela alta qualidade do seu trabalho e da sua produção de antropólogo, de educador e de escritor, mas também pela incrível capacidade de viver muitas vidas numa só, enquanto a maioria de nós mal consegue viver uma.

Darcy Ribeiro nasceu em Minas (1922), no centro do Brasil. Formou-se em Antropologia em São Paulo (1946) e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Neste período fundou o Museu do Índio e criou o Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena.

Nos anos seguintes (1955) dedicou-se à educação primária e superior. Criou a Universidade de Brasília e foi Ministro da Educação. Mais tarde foi Ministro-Chefe da Casa Civil e coordenava a implantação das reformas estruturais, quando sucedeu o golpe militar de 64, que o lançou no exílio.

Viveu em vários países da América Latina onde, conduzindo programas de reforma universitária, com base nas idéias que defende em A universidade necessária. Foi assessor do presidente Salvador Allende, do Chile, e Velasco Alvarado, do Peru.

Escreveu neste período os cinco volumes de seus Estudos de Antropologia da Civilização (O processo civilizatório,As Américas e a Civilização, O dilema da América Latina, Os Brasileiros: 1. Teoria do Brasil, e Os índios e a Civilização), que têm 96 edições em diversas línguas.

Neles propõe uma teoria explicativa das causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos.

Ainda no exílio, começou a escrever os romances Maíra e O mulo, e já no Brasil escreveu dois outros: Utopia selvagem e Migo. Publicou Aos trancos e barrancos, que é um balanço crítico da história brasileira de 1900 a 1980. Publicou também uma coletânea de ensaios insólitos: (Sobre o óbvio), e um balanço de sua vida intelectual: Testemunho. Edita juntamente com Berta G. Ribeiro a Suma Teológica brasileira. Seu último livro, publicado pela Biblioteca Ayacucho, em espanhol, e pela Editora Vozes, em Português, é A fundação do Brasil, um compêncio de textos históricos dos séculos XVI e XVII, comentados por Carlos Moreira, e precedidos de um longo ensaio analítico sobre os primórdios do Brasil.

Retornando ao Brasil em 1976, voltou a dedicar-se à educação e à política. Elegeu-se vice-governador do estado do Rio de Janeiro, foi secretário da Cultura e Coordenador do Programa de Educação, com o encargo de implantar 500 CIEPs que são grandes escolas de turno completo para 1000 crianças e adolescentes. Criou, então, a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvin, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema. E o Sambódromo, em que colocou 200 salas de aula para fazê-lo funcionar também como uma enorme escola primária.

Elegeu-se senador da República, função que exerce defendendo vários projetos, entre eles, uma lei de trânsito para defender os pedestres contra a selvageria dos motoristas; uma lei dos transplantes que, invertendo as regras vigentes, torna possível usar órgãos dos mortos para salvar os vivos; uma lei contra o uso vicioso da cola de sapateiro que envenena e mata milhares de crianças. Combate energicamente no Congresso para que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação seja mais democrática e mais eficaz. Publica pelo Senado a revista Carta, onde os principais problemas do Brasil e do mundo são analisados e discutidos. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Conta entre suas façanhas maiores haver contribuído para o tombamento de 98 quilômetros de belíssimas praias e encostas, além de mais de mil casas do Rio antigo. Colaborou na criação do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto de Oscar Niemeyer. Gravou um disco na série mexicana "Vozes da América". E mereceu títulos de Doutor Honoris Causa da Sorbonne e das Universidades de Montevidéu, Copenhague e da Venezuela Central.

Entre suas atividades conta-se haver contribuído para o tombamento de 98 quilômetros de belíssimas praias e encostas, além de mais de mil casas do Rio antigo. Colaborou na criação do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. E mereceu títulos de Doutor Honoris Causa da Sorbonne, da Universidade de Copenhague, da Universidade do Uruguai, da Universidade da Venezuela e da Universidade de Brasília (1995).

Em 1992, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras. Além da obra antropológica, Darcy Ribeiro publicou os romances "Maíra", "O Mulo", "Utopia Selvagem" e "Migo". Entre 1992 e 1994, ocupou-se de completar a rede dos CIEPs; de criar um novo padrão de ensino médio, através dos Ginásios Públicos; e de implantar e consolidar a nova Universidade Estadual do Norte Fluminense, com a ambição de ser uma Universidade do Terceiro Milênio.

Em 1995, lançou seu mais recente livro, "O povo brasileiro", que encerra a coleção de seus Estudos de Antropologia da Civilização, além de uma compilação de seus discursos e ensaios intitulada O Brasil como problema. Lançou, ainda, um livro para adolescentes, Noções das coisas, com ilustrações de Ziraldo, considerado, em 1996, como altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Em 1996, entregou à Editora Companhia das Letras seus Diários índios, em que reproduziu anotações que fez durante dois anos de convívio e de estudo dos índios Urubu-Kaapor, da Amazônia. Seu primeiro romance, Maíra, recebeu uma edição comemorativa de seus 20 anos, incluindo resenhas e críticas de Antonio Callado, Alfredo Bosi, Antonio Houaiss, Maria Luíza Ramos e de outros especialistas em literatura e antropologia. Ainda nesse ano, recebeu o Prêmio Interamericano de Educação Andrés Bello, concedido pela OEA.

No último ano de vida, Darcy Ribeiro dedicou-se a organizar a Fundação Darcy Ribeiro, com sede na antiga residência em Copacabana (no Rio de Janeiro).

Vítima de câncer, Darcy Ribeiro morreu aos 74 anos.

Frases:

"O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso."

*

"Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca."

*

Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."

*

"Ultimamente a coisa se tornou mais complexa porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina. A escola não ensina, a igreja não catequiza, os partidos não politizam. O que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa, impondo padrões de consumo inatingíveis e desejos inalcançáveis, aprofundando mais a marginalidade dessas populações."

*

Presente, passado e futuro? Tolice. Não existem. A vida é uma ponte interminável. Vai-se construindo e destruindo. O que vai ficando para trás com o passado é a morte. O que está vivo vai adiante.

*

".... Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas."

*

O ruim no Brasil e efetivo fator do atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, desde sempre sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus…O que houve e há é uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente.



Darcy Ribeiro




BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.