sexta-feira, 27 de maio de 2016

THE WALKING DEAD

THE WALKING DEAD



Amigos leitores, sempre mantive uma certa resistência com relação aos seriados, mas fiquei encantada quando assisti pela primeira vez com meu filho, pois percebi e fiz automaticamente uma analogia com a sociedade atual e os nossos conflitos, nossas lutas constantes por domínio, sucesso, amor, amizades e a esperança por dias melhores, que sempre vive dentro de cada um de nós. As verdadeiras conquistas, as traições, os desafios, as derrotas. Sabemos que o “mais forte” sempre vencerá!
Cada episódio que assisto, aprendo e reflito muito... não há vitória sem batalha!
Os “zumbis” não me assustam, fazem parte da nossa vida, somos sugados pela inveja, vingança ou medo, quando não estamos antenados. Se analisarmos profundamente há uma metáfora em todos os episódios, ficam no ar vários questionamentos sobre os relacionamentos humanos!
Assistam!!!!



THE WALKING DEAD







domingo, 22 de maio de 2016

Dica da Semana

Dica da Semana


As emoções
Bastam
As palavras
Condenam
Os homens
Julgam
Os poetas
ETERNIZAM
A vida segue...

Dica: Sonhe como criança,
voe como as águias,
beije como os adolescentes...com fúria e desejo...
Deixe fluir o arrepiar da pele sem medo,
a aflição de viver um amor
INCONTROLÁVEL!

A vida segue...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CAUBY PEIXOTO: O REI DA VOZ

Cauby


Cauby Peixoto e um estilo de cantor que já não existe mais.

Nascido em Niterói, a relação de Cauby com a música vinha de berço. Sua família, altamente musical, incluía seu tio pianista Nonô (da turma de Noel Rosa), seu primo sambista Ciro Monteiro e seus irmãos Moacyr, pianista, e Arakén, trompetista. Ainda adolescente, cruzando a inspiração em ídolos como Orlando Silva e Silvio Caldas com a influência jazz familiar, começou a cantar como crooner na noite paulistana, ao lado do irmão Moacyr, época em que se escondia atrás de pilastras ou cortinas para se apresentar sem ser visto pelo juizado de menores.

O maior cantor brasileiro de todos os tempos acaba de nos deixar. A emoção da perda de um artista único, como jamais iremos conhecer igual, soma-se oi indescritível prazer de ter trabalhado com ele durante três anos no filme sobre sua obra.

Quando Cauby Peixoto surgiu na música brasileira, seis décadas atrás, era fácil identificar um bom cantor: vozeirão daqueles de chegar na última fileira da plateia sem microfone, interpretação intensa, repertório altamente variado. Com seu timbre de barítono, gosto pelo derramado e a sensibilidade jazzística herdada de sua família musical, de saída Cauby era o pacote completo, mas ainda tinha mais.

Ficamos todos mais pobres sem Cauby. Podemos esperar cem anos, mil anos, mas não voltaremos a ver um interprete brasileiro como ele. Que lá de cima Cauby cuide de nossa orfandade.

Cauby Peixoto foi o último dos moicanos. Com a sua morte, vai junto um estilo de cantor que já não existe mais, aquele de vozeirão aveludado, romântico incurável, ideal para se ouvir dançando num daqueles bailes "mela-cueca" dos anos dourados.

Foi o mais longevo de todos os nossos cantores desse naipe, com 65 anos de carreira ininterruptos, sem que o metal da voz jamais lhe faltasse, sempre gravando e fazendo grandes shows. Até o fim.

Influenciado pelos seresteiros Orlando Silva e Silvio Caldas, pelo balanço do primo Cyro Monteiro e pela escola cool de Nat King Cole, ele tinha uma versatilidade fabulosa, com direito a uma usina de glamour talhada em auditórios de rádios, boates chiques (do tempo em que o Rio e São Paulo tinham uma vida noturna com música ao vivo de alta qualidade), e pitadas hollywoodianas, já que viveu um bom tempo dos anos 1950 na "América".

Nas Rádios Nacional e Tupi, Cauby foi cantor-galã, tendo um séquito de fãs que o rasgavam para levar um pedacinho de sua roupa, desmaiavam quando lhe viam, enfim, eram aficionadas por ele. Acreditem, algumas até hoje estão solteiras por sua causa. Era uma histeria tão grande que ele foi obrigado a morar num hotel para ter um pouco de paz.

Nesse tempo, encantou a todos com as românticas "Conceição", "Tarde Fria", "Molambo", "Nono Mandamento" e "Prece de Amor", a tarantela kitsch "Canção do Rouxinol" e grandes versões, como "É Tão Sublime o Amor", "Daqui Para a Eternidade" e a que o lançou ao sucesso, "Blue Gardenia", do repertório de Nat King Cole --que ele teve a honra de conhecer pessoalmente.

Sua temporada americana se deu entre 1955 e 1959, entre idas e vidas, capitaneada por seu empresário, Di Veras, um marqueteiro de mão cheia.

Lá, esteve ainda com Bing Crosby, cumprimentou Marylin Monroe e Jane Mansfield, chorou ao ver um show de Lena Horne, ensinou Marlene Dietrich a cantar "Luar do Sertão" e ainda ganhou música inédita de um Burt Bacharach iniciante. Participou de um filme musical vestido de toureiro e mudou o nome para Ron Coby e Coby Dijon, pois "Peixoto" era impronunciável para os americanos, gravando rock-baladas à la Elvis Presley, seu contemporâneo.
Cauby foi moldado pelo empresário Di Veras --um industrial metido a compositor que vivia buscando um cantor para entoar suas melodias. Quando descobriu o potencial do rapaz numa ida a São Paulo, onde era crooner da noite no conjunto de seu irmão, o pianista Moacyr Peixoto, enlouqueceu.

Fez misérias para transformá-lo no "maior cantor do Brasil". Deu-lhe um banho de loja, mudou seus dentes, arranjou-lhe uma gravadora, e finalmente armou todo tipo de publicidade em torno de sua figura, algo incomum no Brasil da época. Em seis meses, em 1954, Cauby já estava estourado.

Ah, Cauby era um sujeito delicado e não tinha namoradas? Não havia problema, Di Veras as inventava. Por isso mesmo, foi um artista polêmico desde os primeiros tempos.

Nos Estados Unidos, Cauby deu asas mais à sua vida pessoal do que à carreira. Di Veras acabou convencendo-o a voltar ao Brasil. Aqui então fez novos sucessos a partir de 1960, como "Ninguém é de Ninguém" e "Ave Maria dos Namorados".

Passou a gravar também em outros idiomas por aqui e a arriscar outros gêneros mais modernos, como sambalanço, bossa nova e canções da MPB da fase dos festivais. Ainda fez um tour por Espanha e Portugal com grande sucesso em 1963, e na volta abriu sua própria boate com os irmãos músicos, a Drink, no Leme.

Durante a década de 1970, foi o rei da noite, cantou em pequenas boates pelo país e estava um pouco apagado da mídia quando em 1980 o diretor da Som Livre, João Araújo, decidiu dar um gás em sua carreira.

Nascia o álbum "Cauby! Cauby!", em que deu uma geral no repertório, com autores mais jovens ou sofisticados. A faixa-título era um autorretrato deslumbrante do cantor pintado por Caetano Veloso. "Loucura", de Joanna e Sarah Benchimol, estourou na novela "Baila Comigo" e "Bastidores", de Chico Buarque, virou seu emblema pela vida afora: "Cantei, cantei, nem sei como eu cantava assim..."

A partir de então, a imprensa nunca mais se esqueceu do cantor. Seus discos e shows eram sempre comentados.

Influenciado pelo pianista americano Liberace, passou a ousar cada vez mais no figurino, com ternos extravagantes, e vendo shows de Ney Matogrosso e Maria Bethânia, sentiu que era preciso se renovar também no palco. O resultado foi avassalador.

Cauby passou a gravar um repertório melhor e ser um showman de primeira categoria, capaz de romper fronteiras entre o chamado brega e o chique.

Entre tantas décadas, Cauby sobreviveu com sua arte através da força do personagem de si mesmo. Ano após ano, nunca foi abandonado na história. Além de cantor perfeito e do brilho próprio dos altamente carismáticos, exercia uma arte esquecida: era um personagem. Com sua elegância extravagante e andrógina, seu ar de dândi com peruca cacheada e figurino de cores, brilhos e paetê, Cauby tornou-se um ícone –de uma época, de longevidade artística, de grande voz, de glamour à moda antiga, de elegância, de auto-expressão.

Muitas vezes lhe perguntaram, mas Cauby nunca se disse gay. Sempre contou histórias de envolvimento com diversas mulheres, mas também chegou a dizer durante show em uma boate gay: "somos uma gente muito especial". Sex symbol para muitas mulheres, ícone para muitos gays, um deslumbre para muitos fashionistas. Mais do que homem ou mulher, normativo ou simpatizante. Cauby sempre foi uma estrela.

Cauby


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blogs "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:
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